Logo Comida com História
  • Gastronomia
  • Saúde
  • Sociedade
  • Sustentabilidade
  • Turismo
  • Educação
  • Revista
  • Sobre nós
Sem Resultado
Veja todos resultados
  • Entrar
  • Registrar
  • Gastronomia
  • Saúde
  • Sociedade
  • Sustentabilidade
  • Turismo
  • Educação
  • Revista
  • Sobre nós
Sem Resultado
Veja todos resultados
Logo Comida com História
Sem Resultado
Veja todos resultados

Revolução Verde: o nascimento da agricultura convencional

Reportagem 1 da série 'A agroecologia como solução'

maio 3, 2025
em Sustentabilidade

Mudanças climáticas, desmatamento, redução de área para plantio, migração e aumento da fome.

Esses são apenas alguns tópicos que colocaram em questão o modo de produção de alimentos utilizado atualmente, a chamada agricultura convencional, que foca na produção em grande escala de poucas culturas como milho e trigo, por exemplo. A também conhecida monocultura.

Como alternativa à agricultura convencional e suas consequências, surgem outros métodos de cultivar alimentos, muitos deles focados na redução ou eliminação do uso de insumos externos, como fertilizantes e agrotóxicos, visando a preservação da natureza, do solo e recursos naturais. No entanto, apenas um desses métodos enxerga a agricultura como algo que vai além do plantio – a agroecologia.

Mas, afinal, o que é a agroecologia e como ela pode trazer benefícios também nos campos ambiental e social?

O Comida com História preparou uma série de reportagens sobre o tema para você entender de vez o que é a agroecologia e como ela pode ser uma aliada na melhor distribuição de alimentos, diminuição da fome, preservação do meio ambiente e biodiversidade, melhora nas dietas, entre outros aspectos positivos.

No entanto, não é possível falar sobre a agroecologia sem voltar no tempo e explicar a Revolução Verde. Por isso, a primeira reportagem da série traz de forma simples o que foi esse projeto que mudou drasticamente a maneira como o alimento é produzido no mundo e, consequentemente, modificou todo o sistema alimentar.

Agroecologia

A Revolução Verde foi o início da agricultura convencional, onde a monocultura é a norma

“A agricultura e os sistemas alimentares estão mudando rapidamente. Tecnologias modernas têm mantido a produção mais rápida junto com o crescimento da população, mas grandes desafios de desigualdade na distribuição do alimento ainda atingem muitas famílias, países e regiões. Aumentar o conhecimento sobre a finitude dos recursos não renováveis, os impactos não desejados do atual sistema convencional de agricultura e os custos e outras deficiências que o sistema alimentar globalizado está causando serve para nós repensarmos nossas suposições sobre como e onde plantar alimento. Na ponta desse conhecimento está a agroecologia. Como um campo de estudo e ação, ela apresenta ao mesmo tempo uma crítica ao presente sistema e alternativas para ele”. (‘Agroecologia, Processos Ecológicos em Agricultura Sustentável’, Stephen Gliessman)

Um dos maiores pesquisadores e professores de agroecologia, Stephen Gliessman, define a agroecologia como a aplicação de conceitos e princípios ecológicos para desenhar e gerenciar sistemas alimentares sustentáveis. A agroecologia leva em consideração as características da agricultura local e tradicional de pequena escala usando o conhecimento de métodos ecológicos modernos.

Tudo parece muito complexo, mas pra entender realmente o motivo da agroecologia ser vista como a “ecologia de sistemas alimentares” é preciso entender sua trajetória e história. Por isso, vamos entender primeiro o que foi a Revolução Verde nessa primeira reportagem da série.

Revolução Verde

A cultura do trigo de maior rendimento foi o primeiro experimento da Revolução Verde

A Revolução Verde ficou conhecida pelo ano de 1943, quando a Fundação Rockefeller mandou para o México um time de pesquisadores para desenvolver variedades de trigo mais fortes e com maior rendimento no plantio. Esta ação, juntamente com outras medidas como o uso de pesticidas e fertilizantes e implantação de sistemas de irrigação, ajudou a reduzir notavelmente a falta de comida e a fome, especialmente nos países que adotaram a variedade da semente e dos processos listados acima.

Naquele período, no contexto político da Guerra Fria, o auxílio do governo para pequenos produtores e agricultores era vital para o sucesso. No entanto, ao invés de apoiá-los, o governo deu incentivos para grandes fazendas, cujas terras eram capazes de produzir mais alimento. Isso deixou pra trás mulheres e agricultores de menor escala. Essa decisão de “apostar no mais forte” causou uma redução nos padrões nutricionais porque a monocultura virou a norma, visto que o importante era alcançar o suprimento seguro de alimento.

Desde então, mais tecnologias têm sido desenvolvidas para a agricultura em grande escala, sendo que ou os agricultores são usados para lidar com essas tecnologias ou são substituídos por elas. Na primeira situação, eles se tornam meros manipuladores de máquinas, e todo o conhecimento que possuem sobre agricultura é ignorado. Na segunda situação, eles precisam procurar por trabalho nas cidades, deixando para trás as mulheres pra plantar e cuidar das propriedades.

Essa explicação simples praticamente resume a Revolução Verde que, primeiramente, veio pra sanar um problema mundial, a fome, mas depois trouxe consequências desastrosas.

Consequências da Revolução Verde

A agricultura convencional pode causar problemas no solo e em outros elementos essenciais para a agricultura, como a água e o ar

Uma delas, a desigualdade social. Mesmo que o objetivo principal da Revolução Verde tenha sido produzir mais comida para a população global em crescimento, e os métodos criados para tal terem tido resultados eficazes, com a produção de alimentos tendo dobrado seu rendimento entre 1950 e 1980, consequências negativas também aconteceram, como relata o livro ‘A Revolução Verde, Narrativas de Política, Tecnologia e Gênero’. Segundo o texto, ao final do século 20 e início do século 21, houve um aumento de 11% no número de pessoas passando fome nos países em desenvolvimento – cálculo feito deixando a China fora. Ou seja, o problema que a Revolução Verde deveria resolver está, de alguma forma, retornando.

Outro aspecto negativo relacionado ao projeto da Fundação Rockfeller, foi a queda na produção agrícola mundial que vem acontecendo desde 1985. Isso se deve a problemas relacionados a impactos ambientais e disponibilidade de energia. O próprio Gliessman, que citamos no início da reportagem, acredita que o nosso atual sistema de produção convencional é insustentável e não vai conseguir produzir alimento suficiente para a população global a longo termo porque deteriora os elementos básicos que fazem a agricultura possível – solo, água e ar.

Esses três elementos podem sofrer impactos sérios se não forem tratados corretamente. O uso intenso do solo, a aplicação de fertilizantes e pesticidas e o implemento de irrigação causam problemas de degradação da terra, poluição da água, aumento dos níveis de salinidade e perda de espécies selvagens, entre outros resultados desastrosos.

Pra se ter uma ideia, a quantidade de fertilizante usada na agricultura tem crescido anualmente depois da Segunda Guerra Mundial, de 9 milhões de toneladas em 1940 para mais de 47 milhões de toneladas em 1980. Em 2002 esse número alcançou a marca de 141,6 milhões de toneladas (FAOSTAT, 2005). É assustador pensar em como isso afeta diretamente qualquer ser humano que viva no Planeta Terra!

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) recentemente lançou dados sobre a degradação do solo no mundo, e calculou uma perda anual entre 5 e 7 milhões de hectares de área de plantio de agricultura.

Outra consequência ruim da Revolução Verde é a perda de biodiversidade, com 75% da diversidade genética de plantas já perdidas e substituídas por variedades industriais com alto rendimento, como o milho, o trigo, o arroz e a batata, que correspondem a 60% da absorção calórica da população mundial. A perda de biodiversidade provoca deficiência nutricional, já que as dietas se tornam menos variadas.

A agroecologia como solução

A agroecologia engloba outros aspectos relacionados com a produção de alimentos, como os sociais, econômicos, ambientais, além de fazer a inclusão das mulheres

Hoje, mais de 80 anos depois do início da Revolução Verde, muitos métodos de agricultura alternativa à convencional têm sido apresentados, mas a agroecologia é o único que engloba múltiplas esferas a serem enfrentadas – como a social, econômica, ambiental, assim como os problemas de saúde causados pela Revolução Verde.

A agroecologia possui fundamentos científicos que respondem às críticas que dizem que esses métodos de agricultura alternativa estão tentando voltar ao passado. Na verdade, o que se pretende com a agroecologia é tornar o futuro algo possível.

(Leia aqui a segunda reportagem da série).


Por Leyla Spada

Tags: agricultura convencionalagroecologiaagrotóxicosaumento da fomebiodiversidadedesigualdade socialdesmatamentoFAOfertilizantesfomefundação rockfellermigraçãomonoculturamudanças climáticasprodução agrícolaredução de área para plantiorevolução verde

Reportagens Recentes

A receita imperfeita que mudou toda uma indústria

A receita imperfeita que mudou toda uma indústria

dezembro 8, 2025
A grande fome da batata

A grande fome da batata

dezembro 2, 2025
Overturismo e mercados: uma combinação arriscada

Overturismo e mercados: uma combinação arriscada

novembro 23, 2025
Cozinhar mal é uma delícia

Cozinhar mal é uma delícia

novembro 13, 2025
Uma volta por pubs irlandeses

Uma volta por pubs irlandeses

novembro 4, 2025
Alimentação e dor de cabeça: prevenção e gatilho

Alimentação e dor de cabeça: prevenção e gatilho

outubro 27, 2025
comida-com-historia-logo-whited-t1

Navegue pelo nosso site

  • Vídeos
  • Textos
  • Podcast
  • Revista
  • Apoiadores
  • Sobre nós
  • Guias Gastronômicos

Assine nossa newsletter

Receba as novidades do Comida com História no seu e-mail!

Copyright © 2023 Comida com História – CNPJ: 11.856.573/0001-38 | Implementado por Plat.Co

Políticas de Privacidade | Termos e Condições de Uso

Bem-vindo, novamente!

Acesse sua conta

Esqueceu sua senha? Assine

Crie uma nova conta!

Preencha o formulário para cadastrar-se

Necessário preencher todos os campos. Entrar

Retrieve your password

Insira seu e-mail ou nome de usuário para criar nova senha.

Entrar

Add New Playlist

  • Entrar
  • Assine
  • Carrinho
  • Gastronomia
  • Saúde
  • Sociedade
  • Sustentabilidade
  • Turismo
  • Educação
  • Revista
  • Sobre nós

Copyright © 2023 Comida com História. Implementado por Plat.Co

Tem certeza que deseja desbloquear esta reportagem?
Unlock left : 0
Tem certeza que quer cancelar sua inscrição
-
00:00
00:00

Queue

Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00
Nós utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continua a usar este site, assumimos que você está satisfeito.