Que consumidor você vai ser em 2021?
O que você consome pode, além de impactar sua saúde, influenciar aspectos sociais, econômicos e ambientais

Durante o ano de 2020, vimos imagens que nos trouxeram de volta a esperança. Quem não ficou chocado com a reaproximação de animais que tinham deixado de frequentar áreas tomadas por nós, humanos? Ou perplexo em ver os índices de poluição diminuirem drasticamente com a redução de consumo incontrolado? A pandemia do coronavírus nos trouxe várias preocupações e medos ao mesmo tempo em que nos apresentou um mundo que não estávamos acostumados a ver e vivenciar. Voos cancelados, aeroportos vazios, fronteiras fechadas. Fábricas paradas, lojas cerradas, ruas desocupadas. As únicas atividades que não pararam em nenhum momento foram as dos setores de saúde e alimentação. O que isso quer dizer? Que nós, para estarmos vivos, precisamos de apenas duas coisas: saúde e alimento. Todo o restante é dispensável.

Claro que com as vacinas criadas, tudo vai voltando lentamente aos eixos, mas podemos e devemos manter alguns padrões aprendidos durante os dias de quarentena. Um deles é o de nos preocuparmos mais com nossas dietas e, consequentemente, nossa saúde e a daqueles que amamos. Que tal então ir um pouco além e se preocupar com a saúde do planeta e a vida das pessoas que produzem o que comemos?

Nossos hábitos de consumo são responsáveis por vários problemas que o mundo vem enfrentando, incluindo poluição, pobreza, fome, enfermidades, entre muitos outros. Pequenas mudanças, que vão desde a redução do consumo de certos alimentos até onde você compra os produtos que leva para casa, podem ajudar no equilíbrio que tanto precisamos como pessoas, seres vivos e habitantes do planeta Terra.

Confira abaixo dez maneiras que vão auxiliar você a ser um consumidor melhor em 2021:

  1. Procure comprar em feiras de produtores rurais. Comprando diretamente de quem produz, você se beneficia com a aquisição de produtos mais frescos, mas também ajuda o produtor rural a ter mais lucro, já que o intermediário foi retirado da transação. Isso ajuda não somente a reduzir o êxodo rural, como também faz você ter acesso a uma maior variedade de itens.
  2. Dê preferência a produtos artesanais. Geralmente, ao consumir um produto artesanal, você está ajudando uma empresa familiar ou um micro empreendedor que, muitas vezes, carrega uma cultura ou tradição regional em seu produto. Além disso, um produto artesanal tem um sabor incomparável, já que é feito por pessoas e não máquinas.
  3. Compre frutas, verduras e legumes da estação e, de preferência, do seu entorno. A natureza é sábia, e por isso dividiu a produção de alimentos por épocas do ano para que os animais e pessoas pudessem ter acesso às vitaminas e aos nutrientes que necessitam durante todos os 12 meses do ano. No mais, se o que você consome vem de locais próximos a você, esse alimento não precisa ser transportado por longas distâncias, o que ajuda a não poluir tanto o meio ambiente.
  4. Procure saber a origem do que você come. Um produto com rastreabilidade vai dar a você a oportunidade de escolher conscientemente aquilo que coloca em sua boca. Você pode, por exemplo, evitar comprar de quem usa trabalho infantil, de quem maltrata animais, de quem não se preocupa com os resíduos de produção, enfim, vai dar ainda mais força para quem produz alimentos de forma correta e sustentável.
  5. Compre produtos de cooperativas. Existem muitas cooperativas no Brasil que priorizam a qualidade de seus produtos ao mesmo tempo em que ajudam a manter a economia das regiões onde estão inseridas. Mais do que isso, as cooperativas funcionam como empresas que viabilizam a participação de muitos produtores que antes não tinham a possibilidade de escoar seus produtos. O melhor? Se o produto for processado, como licores, vinhos, geleias, entre outros, o cooperado tem a chance de ganhar ainda mais pelo seu trabalho, sentindo-se mais valorizado e motivado por aquilo que faz.
  6. Se você consome carnes, prefira as orgânicas. Aqui a escolha trará não somente um sabor melhor, já que as carnes orgânicas são livres dos agrotóxicos e pesticidas usados no alimento do gado da carne não orgânica, mas ajudará com a questão ambiental. As carnes orgânicas conseguem essa certificação porque vêm de produção com responsabilidade socioambiental.
  7. Coma de forma variada. Que tal alternar a farinha de trigo com a de aveia e o alface com a serralha (PANC – planta alimentícia não convencional)? Variando o que você come, você ingere nutrientes diferentes enquanto ajuda a preservar espécies diversas de plantas.
  8. Atenção nas substituições radicais. Plástico, leite de origem animal e carne. Se você retirar tudo isso por completo de sua vida e substituir por opções que acredita serem mais sustentáveis, lembre-se de colocar em prática o item 4. Talvez sua carne de soja venha de áreas de desmatamento, seu leite de amêndoa utilize mão-de-obra escrava, e a retirada de plástico acabe contribuindo com o desperdício de comida. Estude suas decisões e as coloque em uma balança.
  9. Escolha alimentos oriundos da agroecologia e agricultura biodinâmica. Essas duas formas de cultivo são benéficas para o alimento em si, e também para o solo, fauna e flora do local onde são praticadas, pois o desenvolvimento de tudo ali presente fica interligado, criando um ecossistema.
  10. Estude, informe-se, saia da ignorância. Busque informações de fontes confiáveis que tenham base científica. Muitas vezes, apenas uma parte da história nos é apresentada. Saiba identificar os motivos que você deve priorizar um produto no lugar de outro.

Se você colocar em prática pelo menos alguns desses itens, pode ter certeza que estará fazendo muito mais bem do que imagina e, mais para frente, vai entender que fez parte de uma grande mudança que começou com uma pontinha de esperança.