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As diversas faces da agroecologia

Reportagem 3 da série 'A agroecologia como solução'

agosto 11, 2025
em Sustentabilidade

Ninguém come comida de verdade sem agricultura. E não é preciso ser expert no assunto pra saber que para a agricultura acontecer quatro elementos são essenciais: semente, solo, água e ar. Sem eles, nada de alimento!

Mas já parou pra pensar em como esse alimento é produzido? Dependendo do tipo de agricultura empregado, a produção de alimento pode ou não ser saudável – pra quem come, pra quem planta e para o meio ambiente.

Como já vimos na primeira reportagem dessa série, a agricultura convencional é uma grande causadora de consequências desastrosas – para a sociedade, consumidores e natureza. E é ela a responsável pela produção da maioria do trigo, milho e soja no mundo, insumos que servem como base para a produção de tantos alimentos processados e ultraprocessados.

Não é de se estranhar então que existam tantos pesquisadores e estudiosos na defesa de práticas alternativas para a agricultura convencional. A mais robusta e defendida por sua longa lista de vantagens e benefícios é a agroecologia.

Agroecologia

Entre as vantagens da agroecologia estão o empoderamento de pessoas locais e a fixação do nitrogênio no solo

O Grupo Parlamentar Multipartidário sobre Agroecologia do Reino Unido (The All Party Parliamentary Group on Agroecology) traz uma abordagem mais ampla sobre o tema, apresentando a agroecologia como um sistema de agricultura que:

–       preserva solos, água, energia e recursos genéticos;

–       fixa nitrogênio e usa energia renovável;

–       usa, quando possível, os recursos da fazenda, incluindo os biológicos;

–       minimiza a produção de poluentes como nitratos e gases de efeito estufa;

–       diversifica paisagens locais, biota e economia;

–       administra ao invés de diminuir ou substituir relações ecológicas;

–       se ajusta aos ambientes locais e empodera pessoas locais;

–       valoriza benefícios a longo termo;

–       valoriza saúde (humana, planta, animal e ecossistema).

Mas com tantas vantagens, por que a agroecologia não é o sistema dominante? Bem, essa não é uma pergunta simples, pois são muitos os aspectos que levaram à agricultura convencional, que atualmente rege a produção em países como os Estados Unidos, China, Índia e Brasil, os maiores produtores agrícolas do mundo.

A agricultura convencional usa grandes extensões de terra para plantar apenas um produto

A realidade é que a agricultura utilizada nesses países é baseada na produção de commodities, como já foi mencionado anteriormente – milho, trigo e soja – e, nesse caso, o que importa é a quantidade produzida para se tirar o maior lucro possível. Essa visão mais focada no dinheiro acaba por não levar em consideração elementos importantes como impacto ambiental, desigualdade social e dependência de recursos não renováveis.

E é nesse ponto que a agroecologia entra como uma alternativa mais completa, com um sistema multifacial que ultrapassa os limites da produção de alimentos, entrando nos campos sócio-político, ecológico e tecno-produtivo e sócio-econômico e cultural.

Marta Rivera-Ferre, professora pesquisadora do Conselho Nacional Espanhol de Pesquisa, que foca seus trabalhos em sistemas alimentares, explica que a dimensão política da agroecologia busca a construção de alternativas para a agricultura industrial por meio de ações coletivas. Segundo ela, a dimensão ecológica e tecno-produtiva da agroecologia foca na fazenda e no desenho de agroecossistemas baseados em princípios ecológicos, enquanto a dimensão sócio-econômica e cultural é centrada no desenvolvimento endógeno das comunidades rurais.

E o que tudo isso quer dizer? Que o termo ‘agroecologia’ não é somente uma alternativa mais sustentável para a agricultura convencional, mas ele hoje significa a junção de disciplinas científicas, práticas agrícolas e movimentos políticos e sociais, cujo objetivo é mudar o sistema atual.

A figura abaixo dá uma visão das três modalidades nas quais a agroecologia se divide: como disciplina científica tem sob o seu guarda-chuva o campo de estudo, a ecologia do sistema alimentar e a ecologia do agrossistema; já como prática agrícola, a agroecologia compreende as técnicas; e como movimentos políticos e sociais, a agroecologia engloba o ambientalismo, a agricultura sustentável e o desenvolvimento rural. Uma visão realmente abrangente sobre a agroecologia.

Atualmente, a agroecologia é muito mais do que uma disciplina científica. Ela é também uma prática agrícola e um movimento político e social

Agroecologia como disciplina científica

“Como uma ciência, a agroecologia é a aplicação da ciência ecológica ao estudo, desenho e administração de agroecossistemas sustentáveis” – Miguel Altieri.

Apesar do engenheiro agrônomo Miguel Altieri ter criado uma definição para agroecologia como uma disciplina científica, não pode ser considerada como uma ciência sem a aplicação correta da palavra “ciência”, a qual, de acordo com o critério convencional científico de Robert King Merton de 1973, precisa ter comunalismo, universalidade, desinteresse, originalidade e dúvida. A conclusão é que a agroecologia atende essas normas.

A agroecologia pode ser estudada em diversas escolas pelo mundo afora, inclusive no Brasil

Agroecologia como prática agrícola

As práticas agrícolas da agroecologia são baseadas na biomimética, onde processos naturais são copiados a fim de fortalecer e harmonizer os sistemas e plantio. Fertilidade do solo, gestão de matéria orgânica, preservação da fonte e técnicas para sistemas de baixa entrada externa (agrotóxicos e pesticidas) são levadas em consideração para melhorar a agricultura tradicional e indígena.

A agroecologia utiliza a biomimética, uma área da ciência que estuda os princípios criativos, estratégias e elementos da natureza

Agroecologia como movimento político e social

De acordo com os pesquisadores Michael Pimbert e Nina Isabella Moeller, a agroecologia como um movimento social promove alternativas viáveis ao regime alimentar dominante. Essas alternativas focam em segurança alimentar, soberania e autonomia, e são orientadas em ações baseadas em objetivos como desenvolvimento sustentável e agricultura sustentável. Elas praticam inclusão e são focadas na comunidade.

O acesso ao alimento limpo (sem uso de insumos externos) é um dos objetivos dos movimentos sociais que defendem a agroecologia

Ao longo dos anos, a agroecologia tem desenvolvido dimensões diversas de acordo com resultados na ciência, política, economia e eventos sociais. Entre 1930 e 1970, a agroecologia era considerada apenas uma disciplina científica. Depois de 1970 até os anos 2000, ela ganhou espaço também dentro das práticas agrícolas. Desde então, apareceu conjuntamente como um movimento político e social, que pode gerar mudanças na direção de um sistema alimentar mais sustentável.

(Se ainda não leu, leia aqui a segunda reportagem da série).

(Leia aqui a quarta e última reportagem da série).


Por Leyla Spada

Tags: agriculturaagricultura sustentávelagroecologiaagroecossistemasdisciplina científicamovimento político e socialprática agrícolasistema multifacialsustentabilidade

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