Na primeira reportagem da série ‘A agroecologia como solução’, vimos como a Revolução Verde mudou drasticamente a maneira como o alimento é produzido em todo o mundo. Com consequências sérias ainda atuais, como a infertilidade do solo e a desigualdade social, a Revolução Verde foi sendo desvendada por estudiosos que acreditavam que seus resultados positivos traziam também impactos negativos.
Em meio a dúvidas e questionamentos gerados por esse projeto que revolucionou a agricultura, uma expressão veio ganhando corpo, chegando devagarinho…é a agroecologia, que surgiu como uma nova forma de se fazer agricultura, indo além do campo e levando em consideração a ecologia.
Para mostrar a trajetória que fez surgir a agroecologia, trazemos uma linha do tempo:

1920: os campos da Ecologia e Agronomia se unem com a criação da técnica da ‘Ecologia cultivada’, quando passa a existir uma preocupação sobre o local onde são feitos os cultivos e sob quais condições ecológicas eles crescem melhor.
1930: a expressão “agroecologia” é proposta por experts da Ecologia cultivada, que a descrevem como “ecologia aplicada à agricultura”. No entanto, como a Ecologia caminha para se tornar uma ciência experimental de sistemas naturais, o uso da palavra “agroecologia” nem chega a decolar.
1950: com a agricultura mecanizada promovida pela Revolução Verde, a Agronomia se torna uma matéria focada em resultados. Paralelamente, o conceito de ‘ecossistema’ ganha espaço, o que traz à tona alguns trabalhos de Ecologia cultivada. Dessa forma, o olhar ecológico sobre o plantio volta a ganhar notoriedade.
De 1960 a 1970: pesquisa na aplicação da Ecologia cultivada começa a ser desenvolvida.
1974: durante o primeiro Congresso Internacional de Ecologia, o artigo ‘Análise de Agroecossistemas’ gera interesse no assunto.
1980: a agroecologia é definida como ‘metodologia e estrutura para o estudo de agroecossistemas’. Sistemas tradicionais de plantio em países em desenvolvimento influenciam pesquisadores, que passam a considerar esses modelos de plantio bons exemplos de gerenciamento de agrossistemas baseados em ecologia. Com maior número de interessados no tema, a agroecologia ajuda a criar a noção de ‘sustentabilidade na agricultura’.
1990: a agroecologia se transforma numa possibilidade real para a conversão de sistemas alimentares sustentáveis. Pesquisas, livros, sites e programas de educação relacionados com a agroecologia são desenvolvidos.

De lá aos dias de hoje, a agroecologia vem ganhando espaço não somente entre pesquisadores e instituições de ensino, mas também no campo, em projetos de agricultura que buscam restaurar solos, produzir uma maior diversidade de alimentos em espaços menores de plantio sem o uso de agrotóxicos e pesticidas, além de ser uma forma de ajudar na manutenção de pequenos produtores rurais na ativa.
Mas a agroecologia atravessa todas essas fronteiras. Mais do que ser uma prática agrícola, ela é uma ciência e um movimento. E é sobre os outros aspectos da agroecologia que a terceira reportagem da série vai tratar.
Não deixe de acompanhar!
(Leia aqui a terceira reportagem da série).
Por Leyla Spada





