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A tradição do chá no Vale do Ribeira

maio 20, 2020
em Gastronomia
Umeko Shimada tomando o chá preto do Sítio Shimada

A educação milenar de respeito aos idosos é parte da cultura japonesa, que tem o costume de glorificar os mais velhos por terem alcançado o patamar de desenvolvimento humano, tornando-se sábios com toda a experiência adquirida ao longo dos anos. A manutenção da tradição do chá no Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo, é um exemplo de como esse respeito ainda vive entre descendentes japoneses da região, que continuam o cultivo das quase centenárias plantas de chá de seus ancestrais para a produção de chás orgânicos.

A história dos produtores dos Chás Especiais Sítio Shimada e do Chá Agroflorestal pode ser contada em paralelo à imigração japonesa no Brasil e ao desenvolvimento da região do Vale do Ribeira, quando os primeiros membros das famílias responsáveis por essas duas marcas de chás chegaram ao Brasil nas levas de imigrantes japoneses, e lá fixaram residência.

Os 106 anos da família Shimada no Brasil

Em 1908, chegou ao porto de Santos o primeiro navio vindo do Japão trazendo 781 imigrantes beneficiados por um acordo entre os governos brasileiro e japonês para trazer trabalhadores para as plantações de café. Dentre os que vieram na sequência, estavam os pais de Umeko Shimada, que pisaram em território brasileiro há exatos 106 anos em busca de uma melhor oportunidade de vida.

A trajetória desse casal deu origem a uma história de muito esforço e trabalho na roça, que hoje é revivida por sua filha Umeko, neta Teresinha Shimada, e bisneta Samira Shimada, na produção de chá.

Umeko, 93 anos, é a filha mais nova desse casal. Desde criança teve contato com o trabalho dos pais, que cultivavam não somente chá, mas também café, cana de açúcar, e trabalhavam habilidosamente com o bicho da seda, ofício que seu pai, ainda no Japão, tinha feito.

Uma das figuras mais queridas da comunidade nikkei do Vale do Ribeira, Umeko inaugurou, aos 87 anos, a marca de chá Obatian, que deu origem à que existe hoje, Chás Especiais Sítio Shimada, especializada em chás pretos e brancos, feitos em quantidades limitadas. O trabalho, todo manual e em família, tem mantido a todos financeiramente juntamente ao cultivo da lichia, fruta introduzida por ela no vale.

No início, quando seus pais ainda eram jovens e cuidavam de toda a produção, as folhas do chá eram vendidas em grandes quantidades para as indústrias processarem e venderem para a Argentina, Europa e Estados Unidos. Porém, o pai de Umeko sempre manteve uma pequena fábrica para processar o chá, até que criou a marca Chá Oriente, a qual ele mesmo exportava para a Argentina e o Uruguai.

No entanto, dificuldades econômicas, falta de apoio do governo, entre outros motivos, levaram-no a deixar sua própria marca de lado. Muitos anos mais tarde, após a morte dos pais, casamento, mudança de cidade e nascimento dos filhos, Umeko voltou para o sítio que era propriedade da família, e retomou os cuidados com os pés de chá. Hoje, produz um chá preto que ficou entre os dez melhores do mundo no 6º Festival do Chá Preto em Asahi Owari, Japão, em 2017.

Com uma história de resiliência como a de Umeko Shimada, os irmãos Miriam Mikiko Yamamaru Oka e Kazutoshi Yamamaru criaram a marca Chá Agroflorestal, que foca no processamento de chá verde artesanal e, assim como o chá de Umeko, também foi considerado um excelente chá natural com sabor de mata.

Os Yamamaru e seu chazal de 10 metros de altura

Os irmãos Miriam e Kazutoshi no Sítio Yamamaru

A chegada da família Yamamaru no Brasil aconteceu em 1953, no navio Santos Maru, muitos anos depois da chegada dos pais de Umeko, quando o Japão ainda sofria com o pós Segunda Guerra Mundial, e o Brasil era visto como um destino promissor. O casal Yamamaru foi recebido por um parente que já estava em território brasileiro há mais tempo, e ofereceu trabalho a eles em suas plantações de café e chá. Ali ficaram por quase três anos até que compraram dois lotes no Bairro da Raposa, Sete Barras, para plantar seu próprio chá.

Os lotes, atualmente o sítio da família, produziam muito chá, uma média de 2 mil toneladas por dia durante o período de safra. Na década de 1980, toda a produção era vendida para fábricas que exportavam para os Estados Unidos e Europa, até que, em 1990, com o agravamento de uma crise que já vinha se estendendo, a exportação do produto parou de acontecer, e todas as atividades foram encerradas.

“Pelo suor de nossos pais, nós quisemos manter o sítio”, conta Miriam, que mesmo depois de os pés terem ficado abandonados por 25 anos sem nunca terem sido podados, transformando-se em árvores altas entre 5 e 10 metros de altura, quis preservar a tradição do chá no Vale do Ribeira.

Contudo, o chazal do Sítio Yamamaru virou floresta, e há apenas três anos ela e seu irmão Kazutoshi começaram a resgatar as plantas no sistema SAF (Sistema Afroflorestal), mantendo o sombreamento que dá um sabor especial ao produto final. Até agora, apenas 2% de toda a área plantada foi resgatada, e o processamento, que era feito inicialmente com a ajuda de Teresinha Shimada e Tomio Makiuchi, agora é de responsabilidade de Miriam após ter feito um curso no Japão. Kazutoshi é quem cuida da plantação.

Imigrantes japoneses trouxeram do Japão a cultura da tradição de plantar, colher e processar chá
Cultura japonesa do chá
A ligação entre as famílias Shimada e Yamamaru aconteceu no Brasil, onde construíram laços e criaram raízes. Aqui, em área recentemente considerada Caminho da Mata Atlântica, elas mantém vivas plantas que deram de comer a seus antepassados, e que trazem consigo uma cultura que veio com eles do Japão: a tradição de plantar, colher e processar chá.

Os chazais dos sítios dessas duas famílias são integrantes da trajetória de luta e adaptação vividas por aqueles que vieram de tão longe, e que hoje são mantidos em pé em respeito à história familiar e que dão, em retorno, chás de qualidade extraordinária. A tradição do chá no Vale do Ribeira reflete a cultura japonesa: experiente, prudente, paciente, tolerante, ouvinte e, acima de tudo, sábia.

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